The time is NOW

 
 
A “silly season” já lá vai, o Outono já se instalou (apesar de continuáramos com dias limpos e solarengos) e as férias já são para muitos apenas uma boa recordação. O momento é pois de trabalho e de mudanças (sim porque esta é a melhor altura para mudanças!) Este ano e, apesar de ter planeado mais umas quantas mudanças, como pessoa dinâmica que sou, gosto de procurar coisas novas e tenho um ‘bichinho carpinteiro’ que não me deixar cair na monotonia, senti que mudei a minha forma de ver o presente e/ou futuro mais próximo. Acho que me ‘caiu a ficha’ daquela procura incessante e contínua de querer sempre o que é mais perfeito e adequado, sobre pena de ter de adiar muitas vezes alguns projetos, quer pessoais, quer profissionais. Talvez porque cada vez tenha uma noção mais precisa do tempo, decidi que tinha de viver mais o aqui e agora, até porque passado, presente e futuro não passam de ilusão. O tempo na verdade só existe no nosso plano físico. Se nos abstrairmos dele podemos tornar as nossas vidas extraordinárias.
 
 
Pin de Clayton em Words | Pintrest
 
 
A famosa frase “Carpe diem quam minimum credula postero” (Goza o dia e conta o menos que possas com o dia de amanhã- ou em Inglês – Sieze the day and trust tomorrow in as little as you may), resume tão bem o efémero da vida, o presente volátil, a inutilidade de sonhar o futuro esquecendo de viver o presente… referindo que devemos evitar perder tempo com coisas inúteis, devemos justificá-lo com a busca pelo prazer imediato, sem ter medo e sem pensar muito no futuro. Para mim esta expressão tem a ver com o não deixarmos que a chama dos nossos sonhos se apague. Muitas das vezes deixamos para trás alguns sonhos, esquecidos, postos em segundo plano por uma rotina ou simplesmente constantemente adiados para um futuro incerto. Esta pequena frase invoca, assim, a capacidade de lutarmos pelos nossos sonhos, de seguir os nossos ideais e de tornar diferente cada dia.
Ao longo dos séculos vimos diferentes artistas, por exemplo como o poeta Walt Withman, ajustaram e modificaram à sua maneira a mensagem desta expressão, mas sem a alterarem – “aproveita o dia”. De notar ainda, a sua influência na música (por exemplo, a banda Metallica em 1997 apresentou um single chamado “Carpe Diem baby”), nos anúncios (Vodafone – Viva o momento) e no cinema, com o filme do Clube dos Poetas Mortos onde o professor John Keating (interpretado por Robin Williams) na primeira lição começa com o seguinte poema chamado “As Virgens Que Fazem Muito Caso do Tempo”:
 

“Apanha os botões de rosa
Enquanto podes.
O tempo voa
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.”

 
Este filme, recorda-me também todas aquelas pessoas que em determinado momento aparecem na nossa vida e que têm o poder de despertar uma pequena estrela adormecida do nosso ser, e nos alargar horizontes e de, tal como o professor do filme, nos incentivar a subir para cima da mesa para termos outra perspetiva do mundo.
 
Também na literatura portuguesa encontramos várias abordagens ao “Carpe Diem” nomeadamente na escrita de um dos muitos heterónimos de Fernando. Nos poemas de Ricardo Reis encontramos marcas epicuristas.
 
Mas afinal o que é isso (perguntam vocês)?! 
 
O epicurismo,  que tinha por base esta máxima, considera o prazer como o mais alto dos bens e defende que se deve viver o dia-a-dia com felicidade. O prazer é, para os epicuristas, o sumo bem do homem e todos os nossos esforços devem tender a obtê-lo. Todavia, não é o prazer grosseiro que importa, mas aquele que provém da cultura do espírito e da prática da virtude. O prazer verdadeiro consiste na ausência de dor. Em suma, o epicurismo pretende responder à questão fundamental da dor e da morte, oferecendo, como resposta, o repouso e a ataraxia (ausência de perturbação), gozando em profundidade, o momento presente.
 
Claro que tudo o que é levado ao extremo como ideologia fundamentalista, tem o reverso da medalha. Viver demasiadamente o prazer imediato também pode ser um erro, tendo em conta que deixamos de ver outras opções (futuras ou passadas) e embargamos no agir instintivamente, sem pensar muito, sem definir metas ou planos ou medir minimamente as consequências do que fazemos. 
 
Mas constantemente durante toda a nossa vida procuramos alcançar objectivos, fogosamente ou até mesmo forçadamente, é a nossa sobrevivência mental. De facto, há quem viva com os olhos voltados para trás, cultivando saudosismos vários, várias reminiscências, uma cantilena nostálgica como se a vida fosse apenas os dias que se foram. Há quem, ansioso, só olha adiante, antecipando o futuro ou adiando sempre, sempre deixando para depois, como se a vida fosse tão-só o que ainda há de ser. Lembrar é agradável, é bom fazer visitas à lembrança, mas não habitar nela. Como é igualmente bom prevenir-se, preparar-se para amanhã, mas não pousar a alma em horizontes distantes. 
 
O tempo é agora, o dia é hoje. O presente é a melhor oportunidade maior de reparar o passado e preparar o futuro. Já dizia um velho sábio chinês (a.k.a. Kung Fu Panda): “O passado é história, o futuro é mistério. O agora é uma dádiva e por isso se chama presente”.
 
Li um livro há uns tempos que tem uma passagem que resume muito bem este pensamento:
 
“(…) Nunca a vida foi tão actual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então – para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa – eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna. Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide. De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje. O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia.” In Um sopro de vida by Clarice Lispector
 
Nunca nos devemos esquecer que são os pequenos momentos dos nossos dias que deixaram marcas importantes em nós e que são esses os que mais devemos aproveitar e guardar, porque esses momentos, em conjunto, formam aquilo a que chamamos Vida.
 
Por isso viva hoje, não deixe nada para trás. Sendo assim, foque a sua energia no aqui e agora!!!
 

Até lá não se esqueça de viver Saudável-Mente!


Com Carinho,
Carina

 
P.S: Pode inspirar-se nesta música dos Moloko que adoro : )

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